Livro

Os Fenómenos têm significados diferentes para cada pessoa. Para algumas representam uma realidade distante e, para outras, especialmente para as que passaram pelo Entroncamento nas décadas de 50, 60 e 70, surgem como um marco de uma época áurea da cidade.

Muitas pessoas leram acerca dos Fenómenos nos jornais, outras apenas os conhecem sabem o nome, outras apenas têm uma vaga ideia acerca da sua existência. No meu caso, conheço-os não só porque fui acompanhando a evolução deste livro, mas também porque, ao longo da minha vida, sempre fui ouvindo sobre as coisas peculiares que ocorreram nesta terra, primeiro com a minha avó e depois com o meu tio e com a minha mãe. Os Fenómenos foram, para mim, contados como episódios dos livros infantis e sempre me trouxeram ternura por terem nascido na cidade onde eu cresci. Há pessoas e lugares que o tempo levou. Não pude ver o Chafariz, o Prédio Paris, ou apanhar boleia na mula do tio Maurício. Contudo, ainda posso ver, na rua dos quartéis, na Vila Verde, um cato a ultrapassar o telhado de uma vivenda e tenho muito gosto por conhecer a Isabel Inácio que criou Chica, a lebre, a biberão.

Infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer o meu avô materno, o “Sr.Carloto”, mas tenho ouvido muitas histórias acerca dele, que me permitem reconhecer-lhe uma personalidade divertida. O Sr. Cadete, fiel sportinguista como o meu avô, sempre me relembrou uma:

“Um dia fui com o teu avô e com três outros senhores numa excursão até à Póvoa de Varzim, onde íamos ver o Sporting a jogar. Antes do jogo, fomos todos almoçar bacalhau com batata a murro, nunca mais me esqueço. No fim do almoço, o teu avô abriu a carteira para pagar e o empregado, ao ver a carteira dele cheia de cartões ( visto que era comerciante), recusou-se a aceitar o pagamento porque não acreditava que ele não era inspetor. Ainda hoje me lembro de estarmos todos no fim do almoço a rir da situação.”. São estas memórias que que me permitem conhecer quem foi o meu avô, o seu espírito, a maneira como vivia e o empenhamento que colocava em tudo o que fazia. Foi essa dedicação ao trabalho, o afeto à terra onde viveu durante muitos anos e o espírito vanguardista que lhe permitiram reconhecer o valor daquelas histórias fenomenais que hoje em dia estão a ser relembradas com carinho pelos “antigos” e a ser dadas a conhecer aos mais jovens.

Agradeço à minha mãe a oportunidade de escrever este depoimento e por ter sempre incutido em mim valores que me permitem, hoje em dia, reconhecer a importância de preservar esta herança profundamente ligada à minha família. Todos os esforços em prol desse objetivo são de grande mérito e tenho orgulho por poder acompanhar o processo.

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