Livro

    Quando Maria Inês veio para aquela casa, faltava apenas um mês para completar três anos. Era Primavera e o jardim não podia estar mais bonito, com as macieiras e as ameixoeiras carregadas de flores. Ao fundo do quintal, o pequeno pessegueiro destacava-se com as suas flores rosa, o céu azul de uma calma e doce limpidez e o ar da aldeia ainda fresco, mas saudável. Pequenina e delicada, Maria Inês fixava tudo com estranheza… aquela casa, as pessoas que vira apenas uma única vez em casa de Dona Maria do Amparo e a tia Zéza que a trouxera, de quem ela não largava a mão. Tinham vindo da cidade na camioneta, e durante todo o trajecto a menina viera aconchegada ao colo de Zéza. Aninhara-se bem, no calor daquele peito de mãe afeito já a proteger crianças e adormecera. Não queria agora separar-se dela. Elisa tentou pegar-lhe e ela choramingou, agarrando-se ainda mais a Zéza. Elisa foi então ao quarto e trouxe a boneca que tinha deixado em cima da cama para Maria Inês e mostrou-lha. A menina abriu muito os bonitos olhos verdes, depois olhou para Elisa, ao mesmo tempo que agarrava a boneca com ambas as mãos e não mais a largou, segurando-a com força junto ao peito, como sendo já propriedade sua.

Excerto do texto: VERDADEIROS PAIS

AUTOR

Rosa Maria Correia Marques nasceu em 1959 e é natural da Madeira, freguesia da Camacha, onde viveu até aos dezoito anos de idade. Após o seu casamento mudou-se para Porto Santo, onde reside e trabalha como administrativa até à data presente.

Preocupa-a a situação de grande instabilidade em que o mundo se encontra e que parece acentuar-se a cada dia que passa. A situação precária em que muitas pessoas ainda vivem, principalmente nas terras inóspitas e nos países atingidos pela violência da guerra. As crianças indefesas que sofrem todo o tipo de privações e maus tratos, e que vão crescendo carentes de tudo o que é essencial a uma vida digna e saudável. O individualismo crescente, a falta de afecto e de união entre os seres, a invasão das tecnologias cada vez mais sofisticadas dividindo e conduzindo a Humanidade para o abismo da solidão. O próprio Planeta em risco.

Gosta de ler, de escrever, e de tudo o que está ligado à literatura e à arte. Gosta de poesia e por vezes aventura-se a escrever um pouco do que lhe vai na alma, sobre recordações da infância e sobre a Natureza, a quem declara um amor incondicional.

Participou em diversas obras colectivas de prosa e poesia, em Portugal e no Brasil. Entre elas, uma colectânea infantil, Cartinhas na Janela. Participou no concurso Cartas de Amor, uma iniciativa da Biblioteca Municipal do Porto Santo, onde ficou em primeiro lugar.

Colabora com duas revistas literárias: Divulga Escritor e SG Mag.

Em 2016, publicou o seu primeiro livro: Mar Em Mim (poesia), reeditado em 2018.

Em 2017, publicou o seu segundo livro: Prisioneiros do Progresso (Poesia de cariz social).

O Voo da Garça é o seu terceiro livro.

 

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