O texto ocupa-se de cavaqueios, animadas discussões, contemplações, deambulações reflexivas e histórias de casos e descasos, ansiosas por serem contadas, depois do alegórico reencontro do autor com inspiradoras pedras coletadas em caminhos por ele palmilhados. A memória e a curiosidade sobre usos, costumes e peripécias, guiaram o narrador na caracterização de personagens, na recriação de entrechos, espaços e tempos implicados, beneficiando da perspetiva adquirida com o distanciamento entretanto verificado. O que aproxima as diversas narrativas é o odor a cobiça, suave ou intenso, emanante de quase todas, aquém e além-mar.
O foco da narração incide também sobre insulanas paisagens, atrativos turísticos e culturais, mas também desvela algo menos recomendável, como prodigalidades na aplicação do dinheiro dos impostos, práticas estadísticas irresponsáveis e receios de opinar contra os senhores da situação. Noutra latitude, continental, a cobiça começa num assalto de rua e continua no subsequente percurso desviante e disruptivo de um dos seus autores, a culminar num cruento desfecho. Por fim, a inveja e a cobiça em local de trabalho e a avidez de ser alguém e possuir poder.
João Francisco Aveiro Pereira nasceu no Alentejo e aí conheceu a vida até aos quinze anos, granjeando uma experiência que o marcou de modo indelével. Depois radicou-se em Lisboa, onde prosseguiu estudos e trabalhou.
É licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, pós-graduado e mestre em Direito pela Universidade Católica de Lisboa e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de Paris I – Panthéon, Sorbonne.
Exerceu a judicatura em vários tribunais judiciais de primeira instância, no Tribunal da Relação de Lisboa e no Tribunal de Contas. Foi sucessivamente juiz-assessor no Supremo Tribunal de Justiça e chefe de gabinete do Presidente do mesmo Tribunal.
É Juiz Conselheiro, jubilado.
Em matérias jurídicas, publicou vários livros e múltiplos artigos em revistas da especialidade.