Este livro é a história de uma travessia feita com o coração na mão.
Acompanhamos um Candidato que se recusa a aceitar a resignação de um Concelho cansado, mas ainda vivo por dentro.
Entre ruas conhecidas e aldeias esquecidas, entre palavras de desalento e gestos silenciosos de esperança, desenha-se o retrato de uma Campanha que foi muito mais do que política: foi um encontro profundo com as Pessoas, com as suas dores, memórias e sonhos por cumprir.
Entre cartazes que desaparecem e reaparecem como se tivessem vontade própria; carrinhas do som teimosas, mas cheias de alma; listas construídas contra o medo; refeições partilhadas que sabiam a casa e gestos simples que mudaram dias inteiros. Este capítulo revela a face mais humana e verdadeira da Campanha. São peripécias vividas na estrada e nos bastidores, onde o improviso substituiu os meios, a criatividade venceu a escassez e a solidariedade falou mais alto do que qualquer rivalidade política. Em cada aldeia, em cada abraço, em cada conversa de beira de estrada, construiu-se uma narrativa feita de coragem silenciosa, resistência serena e uma fé inabalável nas Pessoas.
O protagonista enfrenta o cansaço, a dúvida e a possibilidade da derrota, enquanto luta por reacender o sentimento de pertença e provar que a Política pode ser feita com proximidade, dignidade e verdade.
Longe da perfeição, mas profundamente enraizado na vida real, este testemunho revela uma caminhada em que cada gesto teve peso e cada encontro deixou marca, mostrando que a verdadeira vitória não é a que se proclama, mas a que permanece no silêncio da consciência.
Mais do que votos ou resultados, fica a dignidade de quem acreditou até ao fim, caminhou lado a lado e transformou uma Campanha num ato sincero de humanidade, entrega e amor pelo Concelho de Seia.
O autor nasceu em Seia, terra onde nunca deixou de habitar, mesmo quando a vida o levou cedo para longe. Ainda bebé parte com os pais para Angola, onde cresce até 1975, regressando depois às origens para concluir o ensino primário e reencontrar o chão que o viu nascer. É em Seia que se forma como jovem e como cidadão, completando o 12.º ano, antes de seguir para Lisboa, onde se licencia em Economia no Instituto Superior de Economia, então integrado na Universidade Técnica de Lisboa. Esse percurso académico deu-lhe método e rigor; a vida, porém, ensinou-lhe o essencial: o valor das pessoas, da proximidade e do serviço público.
Desde cedo revelou gosto pela palavra e pela comunicação. Nos década de oitenta, participou ativamente no jornal local Seia Nova e deu voz à comunidade através da Rádio Beira Alta, experiências que marcaram a sua relação com a escrita e com o dever de informar, escutar e dar sentido ao que se vive coletivamente. Paralelamente, construiu um percurso sólido de envolvimento cívico, dedicando grande parte da sua vida ao associativismo e ao voluntariado, com especial destaque para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Seia, a Federação de Bombeiros do Distrito da Guarda e a Liga dos Bombeiros Portugueses, espaços onde a entrega é silenciosa, mas profundamente transformadora.
Pai de duas raparigas e de um rapaz, traz consigo a responsabilidade de quem acredita no futuro e sabe que ele se constrói com exemplos. Dirigente municipal há mais de trinta e cinco anos, trabalhou durante vinte e cinco anos na Câmara Municipal de Seia, conhecendo por dentro as dificuldades, as rotinas e as esperanças de um território que nunca deixou de servir. Há cerca de uma década vive em Setúbal, sem nunca romper o vínculo afetivo e cívico com o Concelho de Seia. É dessa vida feita de regresso, compromisso e pertença que nasce esta obra: não como um exercício de vaidade, mas como um testemunho de quem viveu, serviu e continua a acreditar que as pessoas e as terras merecem ser cuidadas com verdade, memória e coração.