O assassinato da velha à machadada,
o assassinato do pai cego da cabra cega,
da pega do Porto e das suas amadas,
o tiro à mulher tirana, essa tal de Ana,
à merda lançada sem pena,
os tolos do bolorento
que nunca saíram efetivamente
deste seco relento!
As decapitações de várias ações,
os palavrões ordinários todos brigões,
as denúncias sórdidas fedorentas,
feias crias expostas,
só mostraram tristes compotas:
cometas ignotos, promessas bocetas!
Nunca saíram destas portas!
Matar figurado, metafórico,
no quadriculado,
é ainda pena oferecida ao rasgado.
Fora do quadriculado,
toda a criatura,
anta nua ou rica finura,
tem direito à sua vida, à sua figura!
VÍTOR TEVES nasceu em 1983, em Ponta Delgada, e vive atualmente na Ribeira Grande, em S. Miguel (Açores). É Mestrando em Ensino de Português do 3º ciclo e secundário na Universidade de Letras do Porto. Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, na Universidade do Porto, com a dissertação: Transversalidades — a propósito de Invisíveis Correntes de João Miguel Fernandes Jorge, e Licenciado em História da Arte, na mesma faculdade.
É professor, poeta e artista plástico. Na qualidade de curador, destaque para a exposição no Museu Carlos Machado, “A (im)possibilidade de uma ilha”, em 2020, onde reuniu cerca de 20 artistas e escritores. E, enquanto artista plástico, destaque para as exposições “Articulações e Outros Cortes”, na Casa da Cultura Carlos César, Lagoa, e “Entropia Solar”, no Museu Municipal da Ribeira Grande, ambas em 2023.