Desde o Alentejo feito de memórias de infância, Belchior Ignês atravessa a meia-idade carregando o peso das perdas, dos desencontros, dos amores e desamores, da inquietação interior que o afasta do ruído do mundo moderno. Entre a venda da velha casa de família, o regresso a Portugal e a tentativa de reconstruir a própria sanidade, procura nas deambulações pelos trilhos dos bosques de Sesimbra, sempre acompanhado pelo som da música dos Urze de Lume a condição imersiva da solidão numa forma de sobreviver às cicatrizes emocionais que o perseguem.
Dividido entre o mar que avista na frente marítima de Sesimbra e as recordações da infância alentejana, Belchior vive em permanente reflexão sobre o homem contemporâneo, o vazio das cidades, a mecanização das relações humanas e a fragilidade da mente. Pelo caminho, surgem encontros improváveis, relações transgressoras e uma cadela abandonada que o adota, num ambiente marcado pela dor, pelos sonhos inquietantes e diálogos interiores que oscilam entre a lucidez filosófica e o abismo psicológico.
Com uma escrita profundamente introspetiva, sensorial e melancólica, “O Maravilhoso Mundo de um Homem de Meia-Idade” é um romance sobre memória, identidade, desgaste emocional e resistência humana. Uma viagem literária onde a natureza, a solidão e o questionamento existencial se cruzam na tentativa de compreender aquilo que resta de um homem quando o mundo à sua volta deixa de fazer sentido.
Será o mundo real, o mundo das pessoas de carne e osso, um lugar onde subsiste aquela centelha de esperança capaz de evitar a inevitável escuridão e apagamento de um homem de meia-idade?
Miguel de Azevedo. Nascido em 1972, no seio de uma família com raízes alentejanas na aldeia de Santa Susana – Alcácer do Sal, residente em Sesimbra, assume o privilégio de observar o mundo e o desconcerto da humanidade que lhe provoca a inquietação necessária para transformar a espuma dos dias traduzida na sua prosa literária.
Autodidata, humanista, reivindica que a palavra do escritor tem a responsabilidade de ousar provocar no(a) leitor(a) todo o desassossego e inquietações que lhes permitam questionar-se e pensar o sentido da vida e do mundo que os(as) rodeia. Este é o desígnio que procura alcançar enquanto homem das palavras, das histórias que constrói e das causas que defende.