Livro

oriente médio:

- Não queremos um nascer do sol à medida do despertar de quem nos tira o sono.

- A guerra não nos quer, a europa não nos quer. Somos os novos leprosos do século vinte e um e andamos todos no mesmo mar. Andamos de um lado para o outro, nunca sabemos de onde vem o vento. Nisso a europa é parecida contigo, para ela não há passado.

espinhos:

- Quem não nos respeita o corpo não merece possuir-nos a alma.

- Não sei se vais matar ou ser morta, sei é que a violência é uma cobra venenosa que tu afagas no peito, pronta para te picar.

enxurradas:

- Uma parte de mim foi pela enxurrada. Não sei porquê, mas a terra deixou de ser segura. O chão desapareceu para sempre.

- Uma mulher não deve nunca mendigar afetos. Não se deve pedir o que é nosso. Que se enfeite quem que se queira enganar e que estenda a mão quem não tenha nada para dar. Não é o meu caso. Eu mendiguei o que sempre andei a dar.

                                monstro:

- É terrível sentir a ternura disfarçada de quem não nos ama.

- A chuva é como esta minha culpa, deixa sempre marcas nos corpos de quem me aproximo.

anjo:

- Sou imensamente feliz, liberta de ti e de todos os que se veem ao espelho espreitando as silhuetas das vidas alheias.

- O povo gosta de criar fantasmas para não ter de combater quem o explora.

AUTOR

João Sevivas, advogado, poeta e dramaturgo, nasceu e
vive em Castro Daire. Últimas obras: Estrelas Vadias,
poesia; Teatro 2015, teatro; Teatro 2016, teatro; Pedaços,
poesia.

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