Sinto que o meu fim está para breve.
A mãe falou-me uma vez de uma lenda que persegue os Ribeiro de Castro e Telles, falou-me de um cantar de mulher, num choro de morte e num bradar de sinos perturbador. Disse-me que era este som que se ouvia de nossa casa, cada vez que algum membro da família morresse. Ela ouviu-o quando o pai morreu. E eu, quando chegou a vez de ela partir.
Hoje ouvi-o novamente. E suponho que seja a anunciar a minha morte.
Há mais de sessenta anos atrás, no dia do funeral da Amélia, eu e ela fizemos um acordo. Eu pedi-lhe que me levasse com ela e combinámos encontrar-nos junto ao rio atrás das pedras de onde nós as quatro víamos os filhos dos criados que mergulhavam no rio. Apercebi-me agora de que ainda estou a tempo de cumprir o que prometi.
Não quero deixar de acreditar na imaginação das pessoas e nas histórias erguidas por elas &
Rezai por mim.
Um beijo,
Matilde.
Nasceu em 1994 na Quadra, uma pitoresca aldeia do concelho de Vinhais, Bragança. Lança o seu primeiro livro “A menina que sonhava com rosas” em janeiro de 2012 envolvendo-se a partir daí num caos sem fim, que diz ele ser o amor pela escrita, ou antes o amor por imaginar, escrever e depois viver mais vidas para lá da sua. Diz ainda, não temer de forma alguma mostrar tudo quanto há dentro dele e por isso continua a escrever…
Frequenta ainda, na Escola Básica e Secundária D. Afonso III de Vinhais, o décimo segundo ano de escolaridade na área de Humanidades.
Brinda-nos agora com a sua segunda obra, O cantar das vinhas, uma história que promete apaixonar os leitores até ao último instante.