Livro

 


«Na linha da pobreza» narra a história de vida de Rosa, uma mulher cravada com o anátema da inteligência e da lucidez, que se divide entre a pureza dos sentimentos amorosos e as pulsões irresistíveis do corpo e do prazer, num ambiente social atávico e mesquinho.

O livro retrata a condição social e cultural da pobreza «numa ilha da costa africana do Atlântico», no dealbar da Revolução de Abril e as suas vicissitudes, a miséria, a ignorância, os preconceitos, a iniquidade, o peso da Igreja e o seu conúbio com o poder, a pedofilia e o abuso calculado dos filhos de ninguém, e a esperança corporizada pela democracia em ascensão.

Através da lente de um narrador interventivo, a descrição pormenorizada e despudoradamente crua e chocante da história confronta-nos com a revelação do sexo e do poder como as principais pulsões da natureza humana, embora no universo interior de Rosa só o amor dê sentido à vida.

«Na linha da pobreza» perpassam as angústias e as inquietações existenciais mais profundas, retratadas com uma veemência verbal singular, reveladoras da mestria narrativa do autor e da sua versatilidade literária.

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AUTOR

 

Hugo Amaro nasceu em 1962, no Funchal, onde passou a infância e adolescência, no seio de uma família numerosa. Mudou-se para Coimbra, nos anos oitenta, onde se licenciou em Direito. Embora apaixonado pelo ambiente intelectual da Lusa Atenas, regressou ao Funchal para exercer advocacia, atividade que cedo abandonou para abraçar funções na Administração Pública, nas áreas de consultadoria e administração de serviços de saúde.

De personalidade tímida e introspectiva, desde cedo revelou um grande pendor para a escrita, em detrimento da oralidade, com a leitura absorvente de grandes escritores, como Thomas Mann, Herman Hesse, Fernando Pessoa, Miguel Torga e Eugénio de Andrade, a servir-lhe de inspiração para se abalançar a escrever. A sua predileção de espírito é a prosa, mas o «struggle for life» tem coartado a sua concretização. Tem preenchido os seus ímpetos literários com poemas, que não exigem delongas de estrutura narrativa, constituindo instantâneos de alma e angústia.

São alguns desses poemas, avulsos, escritos ao longo de alguns anos, que agora se dá à estampa, coligidos como Rio Percorrido (pedaços de vida).

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